Outubro Rosa: coisas que você precisa saber sobre câncer de mama

A ginecologista Cidinha em uma conversa importante da saúde feminina

No mês oficial de conscientização do câncer de mama, Outubro Rosa, a Hering convidou a ginecologista e obstetra Cidinha Ikegiri para um bate-papo sobre esse assunto muito importante que diz respeito à saúde feminina.

Há 25 anos, a Hering apoia a causa ao lado do São Camilo Oncologia. Neste ano, a campanha “Eu sou rosa” traz Mônica Martelli e Thai de Melo Bufrem, além da cor do amor para destacar o amor próprio nas mulheres, assim como o autocuidado e autoexame.

No Dia Internacional do Combate ao Câncer de Mama, 19 de outubro, 100% da venda de todos os nossos sutiãs será revertida para o São Camilo Oncologia.

E por mais que existam muitas informações disponíveis a respeito da prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama, algumas dúvidas ainda podem surgir. Existem sintomas? Homens podem ter?

Com a ajuda da dra. Cidinha, desvendamos os mitos e verdades do câncer de mama. Cidinha é especializada na área de Ginecologia, Obstetrícia e Medicina Fetal. Durante a residência médica, se aproximou da corrida e então, os hábitos saudáveis a despertaram para o início de uma nova fase profissional. Pós graduada em Medicina Esportiva, tem como missão transmitir para as suas pacientes o quanto uma vida equilibrada pode prevenir doenças, trazer saúde, bem estar e longevidade. Vem ver:

Por Cidinha Ikegiri

Informação é poder. Por isso falar sobre câncer de mama de uma maneira aberta e sem tabus dá ferramentas para o autoconhecimento e diminui não só o medo relacionado ao câncer de mama, mas salva a vida de mulheres através de informação.

Em 2020, mais de 2,3 milhões de mulheres no mundo descobriram novos casos de câncer de mama. Esse tipo de câncer é o que mais atinge e mata mulheres no Brasil. Um a cada 3 casos de câncer pode ser curado se for diagnosticado precocemente. Reconhecer sinais e sintomas iniciais e ter consciência da importância das estratégias de prevenção e exames de rastreamento é essencial para diminuir a mortalidade.

No Brasil, em 2020, aproximadamente 8 mil casos de câncer de mama tiveram relação direta com fatores comportamentais e modificáveis, como uso de bebidas alcoólicas, excesso de peso e inatividade física. O que representa 13,1% dos 64 mil casos novos de câncer de mama em mulheres com 30 anos e mais, em todo o país, de acordo com dados do INCA.

Por isso, estratégias de prevenção e educação para que possamos mudar essa realidade são essenciais. E é esse o papel do Outubro Rosa.

Quais são os sinais e sintomas do câncer de mama?
Os principais sintomas que necessitam de investigação são: nódulos que são indolores, fixos e endurecidos , alterações ou retrações na pele da mama similares ao aspecto de “casca de laranja”, saída espontânea de líquidos claros ou com sangue por um dos mamilos e assimetrias novas entre as mamas.

Nódulos em mulheres com mais de 50 anos devem ser investigados sempre. Em mulheres mais jovens, os nódulos devem ser investigados se persistirem por mais de um ciclo menstrual.

Conhecer seu corpo e alterações que possam aparecer é o primeiro passo para procurar ajuda. A maioria dos casos de câncer de mama são descobertos pelas próprias mulheres e a maioria dos casos tem boa resposta ao tratamento, principalmente quando diagnosticado e tratado no início. Portanto, caso apareçam alterações suspeitas, não tenha medo e procure ajuda.

Qual o exame mais indicado para detectar o câncer de mama?
A mamografia é o exame indicado para rastrear lesões. Rastrear significa diagnosticar antes dos sintomas aparecerem. Essa é a oportunidade que a mulher tem de um diagnóstico precoce que muda o seu prognóstico, dando a chance dessa mulher ter um tratamento mais bem sucedido além de diminuir a mortalidade. É recomendada para a população feminina anualmente após os 40 anos.

E o autoexame das mamas? É o suficiente?
O autoexame é uma válida ferramenta de autoconhecimento e pode ajudar a identificar alterações que necessitem de investigação por um médico especializado, mas é um aliado que não substitui a mamografia, que é a principal ferramenta de diagnóstico precoce da doença.

Quais são os fatores de risco do câncer de mama?
O mais importante é entender que o câncer de mama não tem somente uma causa e que existem fatores que podem ser modificados para a sua prevenção. Os fatores de risco podem ser divididos em modificáveis e não modificáveis.
Ser mulher por si só aumenta o risco, a idade é outro fator relevante uma vez que 4 em 5 casos ocorrem após os 50 anos, de acordo com a São Camilo Oncologia.

Fatores genéticos hereditários precisam da atenção de todos e embora cause muito medo na população feminina, apenas 5 a 10% dos casos da doença estão relacionados a esses fatores.

Felizmente, cada vez mais evidências apontam que os fatores ambientais e comportamentais que podem ser modificados com abordagem adequada e conscientização, entre eles a obesidade e sobrepeso, inatividade física, consumo de bebida alcoólica e o tabagismo têm o protagonismo na prevenção do câncer de mama.

Qual a relação entre esse câncer de mama e atividade física?
A atividade física nos ajuda a aumentar a competência do nosso sistema imune para combater alterações celulares que podem acarretar em um tumor, também reduz o stress oxidativo e apoia o equilíbrio hormonal, o que influencia positivamente no câncer de mama e em outros tipos de câncer.

O ideal é praticarmos atividade física aeróbica de intensidade moderada por 2 horas e meia durante a semana. Mas se ainda não é possível incluir todo o tempo na sua rotina, começar com o que é viável e associar com pequenas mudanças cotidianas, que quando acumuladas podem fazer diferença. Alguns exemplos são: trocar o elevador pelas escadas, estacionar o carro mais longe do destino e até fazer seus deslocamentos de forma agradável e segura a pé ou de bicicleta, skate, patins ou patinetes sem motores, como sugere o Guia de Atividade Física para a População Brasileira, do Ministério da Saúde.

Homens podem ter câncer de mama?
Todos podem ter câncer de mama, mas a frequência observada é menor nos homens. Cerca de 1 homem é diagnosticado com câncer de mama para cada 100 mulheres. A história familiar de câncer de mama em homens é um fator de risco, como aponta o INCA. O agravante no caso dos homens é que o diagnóstico muitas vezes é tardio e assim o prognóstico é mais grave.

Como é o tratamento do câncer de mama?
Quem faz o diagnóstico e organiza o tratamento do câncer de mama é o médico mastologista. Existem opções cirúrgicas e tratamentos como a quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e terapia biológica que são prescritos de maneira individualizada a depender do estadiamento da doença e as particularidades de cada paciente. Vale lembrar que 95% dos casos de câncer de mama têm cura se diagnosticados no início da doença, de acordo com o INCA.

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